terça-feira, 15 de julho de 2008

O Estado é Laico?

Em sua história, o Brasil passou por diversas ditaduras como a Militar, a do Estado Novo, etc...
Porém, me parece que voltamos a conviver com situações onde a vontade de uns se sobrepõe à necessidade todos
Matérias polêmicas acabam precisando passar pelo crivo da "religiosidade" instalada no Congresso, política essa que na minha opinião representa um retrocesso para a democracia. Tenho observado a algum tempo essa ingerência dos pastores eleitos nas decisões que envolvem assuntos "contrários aos mandamentos divinos".
Prendo-me no momento a um assunto que há anos o Brasil discute, mas que pela “vontade de Deus” foi praticamente arquivado.
A legalização do aborto mais uma vez voltou à tona em nosso país, de um lado a igreja que afirma defender a vontade de Deus, de outro as pessoas que lutam pelo direito de escolher.
Não sou defensor do aborto, mas sou a favor do direito à livre escolha (o livre arbítrio é um conceito cristão).
Os dados estão aí, poderia citar varios, basta procurar ser isento de influência para ver existe a dificuldade de agir contra o fundamentalismo religioso.
O Brasil briga por uma vaga permanente no conselho de Segurança da ONU no intuito de ser fiador da “paz mundial”; com a economia aquecida busca ampliar mercados para seus produtos; articula-se para ter influência Geopolítica na América Latina e liderança sobre os paises emergentes, enfim, almeja ascender à nata econômica e cultural do Primeiro Mundo. Mas na contramão dessas aspirações, se alinha com atraso quanto o assunto é o direito sexual e reprodutivo. Em geral, as nações que criminalizam o aborto são as que exibem o pior desempenho social, os maiores índices de corrupção e violência e também os mais altos níveis de desrespeito às liberdades individuais.
No Congresso Nacional existem 4 frentes parlamentares contra a legalização do aborto, uma delas, com mais de 200 deputados (a câmara tem 513 cadeiras). Eles declaram abertamente que estão a serviço da igreja, deixando de lado o dever de representar amplamente
os eleitores.
É democrático impor à maioria a vontade religiosa de alguns?
Quando alguns deputados afirmam que respeitam mais a Bíblia que a Constituição, talvez aleguem que seus mandatos são de origem divina.

Não tenho certeza de que isso seja democracia.

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